domingo, 22 de novembro de 2009

Ladrão

Um ladrão com arma
De grosso calibre,
À noite e sorrateiro,
Invadiu-me a casa.
Vasculhou-a toda,
Armários e gavetas
Tão impetuoso,
Hábil invasor,
Que até do cofre,
Atrás de um dos quadros,
Revelei-lhe o segredo.
E ereto ante a mim,
Pôs-me então na boca
A arma que tinha
Na mão empunhada.
E assim dominada,
Sem palavra alguma,
Deixei que invadisse
Outros interiores.
No fim, foi embora,
Largando-me ali
Estática e nua
Toda revirada,
Indenunciável,
E aguardando calada
Que então retornasse,
Acompanhado de outros,
Para novos delitos,
Cativa que sou
Agora de toda
A sua quadrilha,
Aprendizado do crime
Para também integrá-la
E do alheio roubar
Gozosos delíquios.

Um comentário:

Rafael disse...

Imprevisível na construção de um erotismo eficiente, com um título desconstruído em desconfiança crescente de um ladrão semântico. O eu-lírico feminino funcionou bem ante o grosso calibre ereto. Ler esse texto dá até vontade de assaltar. Ou de ser assaltado. Pois é....dias de vilão, dias de vítima... rs