sexta-feira, 14 de março de 2025

Soneto do homem traído

 

Do bar volto pra casa solitário
Sem ninguém que me faça companhia,
Remoendo o ideal de uma utopia
Que um dia me julguei ser necessário.
Deste mundo vivi o corolário
Da ilusão que meu peito consumia;
Que tudo não passou de fantasia
Vejo agora em meu rosto proletário.
Tudo fiz, mas não foi suficiente;
A ninguém enganei, mas iludido
E atraiçoado eu fui por tanta gente.
Pensava que o ideal era o partido,
Mas não vi que o partido era somente
Aqueles pelos quais eu fui traído.